No ar novamente


Vocês que se acostumaram a ver algumas notícias e reportagens selecionadas no meu blog, devem estar pensando que eu desisti de postar. Nada disso! Muita correria. Muito trabalho. Claro que também um certo desânimo de Internet. Acho que as vezes a gente fica meio ressaqueada da rede e tem que dar um tempo. Foi o que me aconteceu. Pois entâo estou de volta. Espero postar algumas coisas minhas nessa nova fase. Sei que tenho sido bastante impessoal. Justifico, entretanto, que o propósito maior desse humilde espaço é contribuir para expansão do evangelho. Se eu puder vou fazer mais.
É isso aí queridos amigos e irmãos, regressamos. Que Deus nos abençoe a todos com seu infinito amor. Bjão

Biografia de Dietrich Bonhoeffer(1906 - 1945)

Wer Bin Ich? Quem Sou Eu?
Dietrich Bonhoeffer

Quem sou eu?
Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.
Quem sou eu?
Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.
Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?
Quem sou eu?
Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo?
Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?
Quem sou eu?
Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!

Impossível falar em cristianismo nos dias atuais sem nos lembrarmos desse jovem. Sua força e coragem, frente a um regime tão brutal como o nazismo, nos faz pensar em como praticamos um evangelho fraco e longe daquilo que podemos fazer para o Senhor. Um mártir com certeza, como já foi muitas vezes falado.
Um exemplo a ser seguido em termos de fé. Um jovem para ser lido e pensado.
Nascido em Breslau em 4 de fevereiro, filho de um Psiquiatra de classe média alta. Quando jovem decidiu-se seguir a carreira pastoral na Igreja Luterana, doutorou-se em teologia na Universidade de Berlim e fez um ano de estudos no Union Theological Seminary em Nova York e tornou a Alemanha em 1931.
Bonhoeffer foi um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando em 1934 diversos pastores luteranos e reformados, formaram a Bekennende Kirche, Igreja Confessante, rejeitando desafiadoramente o nazizmo: "Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador".
Obviamente o movimento foi posto em ilegalidade e em Abril de 1943 foi preso por ajudar judeus a fugirem para a Suícça. Levado de uma prisão para outra, em 9 de abril de 1945, três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado, junto com seu irmão Klaus, e cunhados Has von Dohnanyi e Rudiger Scheleicher.
Sua obra mais famosa, escrita no período de ascenção do nazismo foi "Discipulado" (Nachfolge) na qual desenvolve a polêmica acerca da teologia da graça, fundamento da obra de Lutero. O livro opõe-se a ênfase dada à "justificação pela graça sem obras da lei", afirmando que a graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja. A nossa luta trava-se hoje em torno da graça preciosa que é um tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende tudo que tem (...) o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga suas redes e segue (...) o dom pelo qual se tem que orar, a porta a qual se tem que bater. Destas linhas já se denota o profundo "fazer teológico poético" que tanto caracteriza a obra de Bonhoeffer.
Quando já estava sendo perseguido pelo nazismo, Bonhoeffer escreveu um tratado considerado por muitos uma das maiores obras primas do protestantismo, que denominou simplesmente "Ética". É nesta obra que ele justifica, em parte, seu engajamento na resistência alemã anti-nazista e seu envolvimento na luta contra Adolf Hitler, dizendo que "É melhor fazer um mal do que ser mal".
Suas cartas da prisão são um exemplo de martírio e também um tesouro para a Teologia Cristã do século XX.
Livros de sua autoria publicados no Brasil
Ética, Editora Sinodal, 2005

Discipulado, Editora Sinodal, 2004
Resistência e Submissão: Cartas e Anotações Escritas na Prisão, Editora Sinodal, 2003

Tentação, Editora Sinodal, 2003
Vida em comunhão, Editora Sinodal, 1986

Livros sobre Bonhoeffer publicados no Brasil
Dietrich Bonhoeffer: cristianismo e testemunho, Ir. Miriam Cunha Sobrinha, Editora Edusc, 2006

Dietrich Bonhoeffer: Vida e Pensamento, Werner Milstein, Editora Sinodal, 2006
Bonhoeffer: o mártir, Craig J. Slane, Editora Vida, 2007.
Filmes
Bonhoeffer: O Agente da Graça, Comev, 1999

Fonte Wikipedia

Faltam cinco minutos para meia-noite

Há sessenta anos o Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos), fundado por cientistas da Universidade de Chicago, criou o Doomsday Clock (relógio do dia do juízo). É um relógio simbólico cujo ponteiro maior se aproxima ou se afasta do número que indica a meia-noite, o momento da destruição da Terra por meio de uma guerra atômica, hoje chamada guerra nuclear. O ponteiro recua quando a tensão diminui e avança quando a tensão aumenta. Quando foi apresentado pela primeira vez, em 1947, no período da Guerra Fria, o relógio marcava sete minutos para a temível meia-noite. Quando a antiga União Soviética testou, em 1949, sua primeira bomba atômica, o ponteiro saltou de sete para três minutos para a meia-noite. Quando, quatro anos depois, os Estados Unidos testaram sua bomba de hidrogênio, o ponteiro tornou a avançar e marcou dois minutos para a hora fatídica. A marca mais distante (17 minutos para a meia-noite) aconteceu em 1991, quando a duas superpotências assinaram o Tratado Estratégico para Redução Armamentista. Depois de permanecer por cinco anos marcando sete minutos para a meia-noite, o ponteiro do Doomsday Clock avançou dois minutos no dia 17 de janeiro de 2007, marcando cinco minutos para a catástrofe. O Boletim dos Cientistas Atômicos explica que essa aproximação maior “reflete as preocupações crescentes com uma Segunda Era Nuclear, marcada por graves ameaças”. De fato, as ambições nucleares no Irã e na Coréia do Norte, os materiais atômicos sem segurança na Rússia e ex-repúblicas soviéticas, a escalada do terrorismo e os riscos de expansão da energia nuclear justificam a recente mudança do ponteiro. Além disso, os Estados Unidos e a Rússia têm mais de 25 mil armas nucleares, algumas delas prontas para lançamento. Além desses dois países, outros seis têm arsenais nucleares: China, França, Índia, Israel, Paquistão e Reino Unido. Parece que o relógio do dia do juízo desempenha o mesmo papel que a lenta construção da arca de Noé. Mas, assim como a arca não acabou com a violência nem com a corrupção globalizada nos dias de Noé, o relógio dos cientistas atômicos é mera curiosidade. A pregação escatológica do dilúvio durou 120 anos. A do Doomsday Clock já dura a metade desse tempo!

(Revista Ultimato)

Deus existe?


Grandes discussões giram em torno da questão sobre a existencia ou não de Deus. Homens comuns e grandes pensadores se descabelam tentando encontrar a resposta. Ajudando ou colocando mais lenha na fogueira, deixo alguns argumentos que dizem respeito ao tema, para serem pensados.
  • Argumento ontológico de Santo Anselmo; As cinco vias de Santo Tomás de Aquino.

  • O argumento da fé- Salmo 19 :1-4 - A ausência de Tomé -Jo:20:19-20, 24-29;a aposta de Pascal

Argumento Ontológico

O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus foi desenvolvido por Santo Anselmo de Canterbury "Proslogion". Os passos do raciocínio anselmiano são os seguintes: Existe na mente de todo homem a idéia de um ser que não se pode pensar outro maior; Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na realidade; Se o ser maior do que o qual não se pode pensar outro só existisse na mente seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade; Logo, o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na realidade (existência real necessária), logo conclui-se que existe Deus e esse ser é perfeitíssimo.
Em poucas palavras: "algo existe em meu pensamento, logo, existe também no mundo material!".
Embora controvertida essa tese foi defendida com argumentos distintos por São Boaventura, Duns Scoto, Descartes, Leibniz, Hegel, Karl Bath, N. Malcom.


As Cinco Vias de São Tomás de Aquino


Santo Tomás de Aquino, na sua obra Suma Teológica ensina que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas e que, fazendo apenas o uso da luz natural da razão a partir das coisas criadas, é possível demonstrar a Sua existência, sem ter de recorrer a nenhum outro argumento de natureza religiosa ou dogmática, para isto propõe cinco vias de demonstração de natureza exclusivamente filosófico-metafísica.

As cinco vias são provas a posteriori, que têm como ponto de partida as criaturas enquanto entes causados para se atingir como termo de chegada a necessidade da existência de Deus; são demonstrações metafísicas (causalidade do ser) e não científico-positivas (causalidade apenas dos fenômenos), mesmo partindo da experiência sensível e, aplicando o princípio da causalidade, mostram ser impossível se proceder ao infinito na cadeia de causas.

1a. via - Primeiro Motor Imóvel Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido, e um tal ser todos entendem: é Deus. Deus é ato puro e não sofre mudança o seu Ser confunde-se com o Agir.

2a. via - Causa Primeira ou Causa Eficiente Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. Não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si prórpio: o que é impossível. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita e não se chegaria ao efeito atual. Logo é necessário afirmar uma Causa eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. Esta Causa todos chamam Deus. Assim se explica a causa da existência do Universo.

3a. via - Ser Necessário e Ser Contingente Existem seres que podem ser ou não ser, chamados de contingentes, isto é cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Todos os seres que existem no mundo são contingentes, isto é, aparecem, duram um tempo e depois desaparecem. Mas, nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, alguma vez nada teria existido, logo é preciso que haja um Ser Necessário e que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
Igualmente, tudo o que é necessário tem, ou não, a causa da sua necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra em outro a causa de sua necesidade, mas que é causa da necessidade para os outros: o que todos chamam Deus.
Do Nada não surge e nem advém o Ser. Como se observa que as coisas existem, não pode ter havido um momento de Nada Absoluto, pois daí não se brotaria a existência de algo ou coisa alguma.

4a. via - Ser Perfeito e Causa da Perfeição dos demais Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, o universo está ontologicamente hierarquizado - seres racionais corpóreos, animais, vegetais e inanimados) qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.

5a. via - Inteligência Ordenadora Existe uma ordem admirável no Universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada. Com efeito aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus.



Argumento da fé

Diz o salmo 19:1-4: os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo.

A ausência de Tomé:

“Naquele mesmo dia, que era o primeiro da semana, estando trancadas as portas por meio dos judeus, Jesus veio, pôs-se no meio deles e lhes disse: ‘A paz esteja convosco’. Enquanto falava, ele lhes mostrou as mãos e o lado. Vendo o Senhor, os discípulos ficaram tomados de alegria. Todavia, Tomé, um dos Doze, não estava entre eles quando Jesus veio. Os outros discípulos lhe disseram: 'Vimos o Senhor!’ Mas ele lhes respondeu: ‘Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, se eu não enfiar meu dedo no lugar dos cravos, e não colocar minha mão em seu lado, não acreditarei!’ Ora, oito dias mais tarde, os discípulos estavam de novo reunidos na casa e Tomé estava com eles. Jesus veio, com todas as portas trancadas e lhes disse: ‘A paz esteja convosco!’ Em seguida, disse a Tomé: ‘Aproxima teu dedo aqui e olha minhas mãos; aproxima tua mão e coloca-a em meu lado, deixa de ser incrédulo e torna-te um homem de fé.’ Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Jesus lhe disse: ‘Porque me viste, creste; bem-aventurados os que não viram e, contudo, creram’.” (Jo 20, 19-20.24-29)


Finalizando:A aposta de Pascal


Pascal depois de tentar todo tipo de argumento em favor da fé, deu-se conta, de forma honrada, de que nenhum deles era cabalmente convincente. Foi então que forjou o famoso argumento da "aposta" válido até os dias atuais.
No parágrafo 233 de seus "Pensées" Pascal colocou a seguinte questão: "Dieu est, ou il n’est pas": "Deus existe ou não existe". Sustenta que a razão pode aduzir tanto argumentos a favor quanto contra a existência de Deus. Destarte não se consegue determinar uma resposta convincente. Como sair desse impasse? É ai que Pascal afirma: "il faut parier": "é necessário apostar". Você não tem escapatória porque, uma vez que suscitou a questão, você se encontra "embarcado nela" diz ele. A razão não sai humilhada pelo fato de ter que apostar. A aposta apresenta a seguinte vantagem: "ou você tem tudo a ganhar ou você não tem nada a perder". Portanto, a aposta é racional.
Se você afirmar "Deus existe" e Ele de fato existe, você tem tudo a ganhar, a vida e a eternidade Se você afirmar "Deus não existe" e Ele de fato não existe, você não tem nada a perder: o sentido da vida e eternidade eram meros devaneios. Então é racional, aconselhável e justo que você afirme "Deus existe" e assim você tem tudo a ganhar.
Fontes de Consulta: Bíblia Sagrada; Wikipedia; Adital(Leonardo Boff)

A casa no céu

Um homem muito rico morreu e foi recebido no céu. Um anjo levou -o por várias ruas e foi mostrando-lhe as casas e moradias. Ao passarem por uma linda casa com belos jardins o homem perguntou:
- Quem mora aí?
O anjo respondeu:
- É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado.
O homem ficou pensando, que lá deveria ser muito bom, porque o Raimundo recebera uma casa maravilhosa. Logo a seguir surgiu outra casa ainda mais bonita.
- E aqui, quem mora? - Perguntou o homem.
O anjo respondeu:
- Aqui é a casa da Luciana, que foi sua cozinheira.
O homem ficou imaginando que, tendo os seus empregados magníficas residências, a sua moradia deveria ser no mínimo um palácio. Estava ansioso por vê-la. Nisto o anjo parou diante de uma barraca construída com tábuas e disse:
- Esta é a sua casa!
O homem ficou indignado.
- Como é possível! Vocês sabem construir muito melhor do que isto.
- Nós sabemos - respondeu o anjo - Mas nós construímos apenas a casa. O material são vocês mesmos que o fabricam e nos enviam lá de baixo, e durante toda a sua vida terrena só nos enviou isto!

Cada gesto de amor e partilha é um tijolo com o qual construímos a eternidade. A caridade que fazemos, o amor a Deus reflectido no próximo, é o nosso passaporte para o céu!

Poder pra salvar

( Aline Barros)

"Todos necessitam de um amor perfeito
Perdão e compaixão
Todos necessitam de graça e esperança
De um Deus que salva
Cristo move as montanhas
E tem poder pra salvar
E tem poder pra salvar
Pra sempre, Autor da salvação
Jesus a morte venceu
Sobre a morte venceu
Me aceitasCom meus medos, falhas e temores
Enche meu viver
A minha vida entrego
Pra seguir teus passos
A ti me rendo
Possa o mundo
Ver brilhar a luz
Cantamos para a glória do Senhor Jesus
Minha finalidade é dar o meu melhor pra Ti
Seguirei a Tua luz
Pois em Tuas mãos está, Senhor, a salvação"

Equilíbrio emocional: sua falta pode nos levar ao fundo do poço

Fazer algo bom não garante que o agente social esteja imune aos revezes da vida. A idéia de que é possível conviver diariamente com o sofrimento e a dor sem se deixar tocar por eles é como achar que você pode passar por um lamaçal sem se sujar. E no lamaçal pode acontecer de já não se conseguir avançar, ficar atolado.
Como pessoas dedicadas, capazes, sinceras no seu desejo de servir a Deus, vão parar no fundo do poço emocional? Vamos descobrir acompanhando Mara, uma educadora cristã muito entusiasmada e fiel.
Estresse: o início da queda
Mara está a caminho do trabalho. Antes mesmo de descer do ônibus, recebe a notícia de que Tó, abusador da filha (aluna de Mara), foi solto e jurou se vingar da pessoa que o denunciara. É pouco provável que ele cumpra suas ameaças. É valentão apenas dentro de casa ou na roda de amigos. Mas Mara preocupa-se: será que ele soube que partiu dela a denúncia que o levara à prisão? Ela estremece.
Ao chegar à organização ela descobre que dona Irene ainda não chegou e por isso as crianças estão sem café da manhã. Mara respira fundo. Os atrasos freqüentes da cozinheira estão começando a incomodar (e muito!).
Quando a coordenadora do projeto vai resolver isso? Mara já se convenceu de que não deve contar nada para a sua chefe, ou será tida como encrenqueira. Mas os atrasos geram um grande transtorno. Suspirando, ela entra na cozinha para ver o que pode fazer. Não são nem nove horas da manhã e Mara já está com dor de cabeça. A dor é um sinal de estresse, um alarme que seu corpo apresenta frente aos estímulos externos.
A mente de Mara interpreta os acontecimentos para dizer ao seu corpo como reagir a eles. Sempre que a mente detecta uma ameaça, um perigo, ela prepara o corpo para lutar ou fugir. Então quantidades maiores de adrenalina são liberadas no sangue — que é desviado de vários órgãos para se concentrar no cérebro e músculos —, as pupilas se dilatam para melhorar a visão, os pés e mãos suam, a respiração e as batidas cardíacas aceleram. O corpo fica em estado de alerta. Esse alarme pode ser bom porque a leva à ação, a tomar providências necessárias para a manutenção da vida. Não é possível se viver sem estresse. Mas também não é possível se viver em estado de alerta o tempo todo. Uma vida de estresse freqüente e intenso pode causar sérios danos à saúde emocional e física.
Parece que Mara já está esgotada. O dia mal começou e ela já está emocionalmente alterada, ansiosa, com dor de cabeça, achando que ele vai ser ruim, sentindo que não vai dar conta do recado.
Burnout: o fundo do poço
O pior de tudo é o sentimento de ter sido usada pela instituição. É difícil admitir, mas Mara está magoada com o pessoal do projeto. Antes ela era elogiada pela sua dedicação, pelo sacrifício, mas agora só recebe críticas e cobranças. Sente que nos onze anos de envolvimento integral no projeto, nunca teve tempo para si mesma, para os amigos para a família. Os problemas na sua vida pessoal parecem ter-se multiplicado ultimamente. Mara se sente vazia, desgastada, sem nada a oferecer.
Nesse estado, Mara não está apenas sob os efeitos do estresse, a coisa ficou mais séria. Ela chegou ao que os especialistas têm chamado de síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout. Se não houver prevenção, o estresse acumulado em dias, semanas, meses, anos, levarão Mara a uma completa exaustão emocional. Ela pode desenvolver problemas digestivos, insônia, dores, um estado depressivo e até ataques de pânico, entre outros. É provável que evite se relacionar com as pessoas, que comece a se sentir uma observadora, alguém que olha de fora a situação. Seu sentimento de realização pessoal cairá de forma notável. Coisas que ela fazia com facilidade parecerão impossíveis. O entusiasmo e a alegria que sentia se evaporarão. Tudo parecerá inútil, repetitivo, irritante. E este é um estado tão debilitante que provavelmente levará a um pedido de licença, ou até à saída de Mara da instituição.
É provável que a síndrome de burnout seja responsável pela grande rotatividade de profissionais ligados ao cuidado com pessoas em situações adversas, com o professores, enfermeiros, agentes penitenciários, policiais, atendentes de telemarketing que trabalham ouvindo as reclamações dos clientes. O dia promete ser muito longo.
A situação é ainda pior para quem trabalha com crianças que sofreram traumas importantes. Ao se identificar com o sofrimento do outro (da criança, de um adolescente, de sua mãe), o profissional acaba internalizando essa dor, vendo-a como sua. Se o profissional não observar períodos de restauração pessoal, ele pode chegar ao ponto de passar a experimentar todos os sintomas emocionais e físicos resultantes de um trauma, mesmo não tendo passado pela experiência traumatizante. A este fenômeno dá-se o nome de trauma secundário ou fadiga da compaixão.
Apenas um encontro com o sofrimento humano não surte esse efeito. Ele é produzido por um contato diário e plural (vários casos ao mesmo tempo) com a dor de pessoas inocentes diante da violência, do abuso, dos maus-tratos, da negligência e do descaso. E agora que Mara chegou ao fundo do poço, o que ela pode fazer? Infelizmente muito pouco. O que levou Mara a esse poço foi acreditar que podia fazer tudo sozinha. O seu lema era “tudo posso naquele que me fortalece”. Mas há muito tempo ela deixara de lado o “aquele que me fortalece” e ficara apenas com o “tudo posso”. No momento, ela não pode nada.
A recuperação de Mara vai exigir um esforço coletivo: a compreensão da família, o apoio dos amigos, o amor incondicional da igreja, o respeito e tolerância da instituição. Ela precisa ser encaminhada a algum profissional da área da saúde (médico, psicólogo) e ao cuidado pastoral. Mara está doente, e sua doença precisa ser levada a sério (tem direito inclusive a licença médica). E, finalmente, o que Mara mais precisa é saber que não está abandonada. O poço pode dar início a um novo jeito de conduzir a vida, com os mesmos ideais de antes, mas com uma nova sabedoria. O fundo do poço pode ser escuro, contudo, lá ela pode achar água cristalina. (Revista Mãos Dadas - nº. 19)

A correria do dia-a-dia e a Bíblia

                                                                                              Definição de Correria:   SUBSTANTIVO ato, proc...