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domingo, 11 de maio de 2008

Deus existe?


Grandes discussões giram em torno da questão sobre a existencia ou não de Deus. Homens comuns e grandes pensadores se descabelam tentando encontrar a resposta. Ajudando ou colocando mais lenha na fogueira, deixo alguns argumentos que dizem respeito ao tema, para serem pensados.
  • Argumento ontológico de Santo Anselmo; As cinco vias de Santo Tomás de Aquino.

  • O argumento da fé- Salmo 19 :1-4 - A ausência de Tomé -Jo:20:19-20, 24-29;a aposta de Pascal

Argumento Ontológico

O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus foi desenvolvido por Santo Anselmo de Canterbury "Proslogion". Os passos do raciocínio anselmiano são os seguintes: Existe na mente de todo homem a idéia de um ser que não se pode pensar outro maior; Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na realidade; Se o ser maior do que o qual não se pode pensar outro só existisse na mente seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade; Logo, o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na realidade (existência real necessária), logo conclui-se que existe Deus e esse ser é perfeitíssimo.
Em poucas palavras: "algo existe em meu pensamento, logo, existe também no mundo material!".
Embora controvertida essa tese foi defendida com argumentos distintos por São Boaventura, Duns Scoto, Descartes, Leibniz, Hegel, Karl Bath, N. Malcom.


As Cinco Vias de São Tomás de Aquino


Santo Tomás de Aquino, na sua obra Suma Teológica ensina que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas e que, fazendo apenas o uso da luz natural da razão a partir das coisas criadas, é possível demonstrar a Sua existência, sem ter de recorrer a nenhum outro argumento de natureza religiosa ou dogmática, para isto propõe cinco vias de demonstração de natureza exclusivamente filosófico-metafísica.

As cinco vias são provas a posteriori, que têm como ponto de partida as criaturas enquanto entes causados para se atingir como termo de chegada a necessidade da existência de Deus; são demonstrações metafísicas (causalidade do ser) e não científico-positivas (causalidade apenas dos fenômenos), mesmo partindo da experiência sensível e, aplicando o princípio da causalidade, mostram ser impossível se proceder ao infinito na cadeia de causas.

1a. via - Primeiro Motor Imóvel Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido, e um tal ser todos entendem: é Deus. Deus é ato puro e não sofre mudança o seu Ser confunde-se com o Agir.

2a. via - Causa Primeira ou Causa Eficiente Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. Não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si prórpio: o que é impossível. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita e não se chegaria ao efeito atual. Logo é necessário afirmar uma Causa eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. Esta Causa todos chamam Deus. Assim se explica a causa da existência do Universo.

3a. via - Ser Necessário e Ser Contingente Existem seres que podem ser ou não ser, chamados de contingentes, isto é cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Todos os seres que existem no mundo são contingentes, isto é, aparecem, duram um tempo e depois desaparecem. Mas, nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, alguma vez nada teria existido, logo é preciso que haja um Ser Necessário e que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
Igualmente, tudo o que é necessário tem, ou não, a causa da sua necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra em outro a causa de sua necesidade, mas que é causa da necessidade para os outros: o que todos chamam Deus.
Do Nada não surge e nem advém o Ser. Como se observa que as coisas existem, não pode ter havido um momento de Nada Absoluto, pois daí não se brotaria a existência de algo ou coisa alguma.

4a. via - Ser Perfeito e Causa da Perfeição dos demais Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, o universo está ontologicamente hierarquizado - seres racionais corpóreos, animais, vegetais e inanimados) qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.

5a. via - Inteligência Ordenadora Existe uma ordem admirável no Universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada. Com efeito aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus.



Argumento da fé

Diz o salmo 19:1-4: os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo.

A ausência de Tomé:

“Naquele mesmo dia, que era o primeiro da semana, estando trancadas as portas por meio dos judeus, Jesus veio, pôs-se no meio deles e lhes disse: ‘A paz esteja convosco’. Enquanto falava, ele lhes mostrou as mãos e o lado. Vendo o Senhor, os discípulos ficaram tomados de alegria. Todavia, Tomé, um dos Doze, não estava entre eles quando Jesus veio. Os outros discípulos lhe disseram: 'Vimos o Senhor!’ Mas ele lhes respondeu: ‘Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, se eu não enfiar meu dedo no lugar dos cravos, e não colocar minha mão em seu lado, não acreditarei!’ Ora, oito dias mais tarde, os discípulos estavam de novo reunidos na casa e Tomé estava com eles. Jesus veio, com todas as portas trancadas e lhes disse: ‘A paz esteja convosco!’ Em seguida, disse a Tomé: ‘Aproxima teu dedo aqui e olha minhas mãos; aproxima tua mão e coloca-a em meu lado, deixa de ser incrédulo e torna-te um homem de fé.’ Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Jesus lhe disse: ‘Porque me viste, creste; bem-aventurados os que não viram e, contudo, creram’.” (Jo 20, 19-20.24-29)


Finalizando:A aposta de Pascal


Pascal depois de tentar todo tipo de argumento em favor da fé, deu-se conta, de forma honrada, de que nenhum deles era cabalmente convincente. Foi então que forjou o famoso argumento da "aposta" válido até os dias atuais.
No parágrafo 233 de seus "Pensées" Pascal colocou a seguinte questão: "Dieu est, ou il n’est pas": "Deus existe ou não existe". Sustenta que a razão pode aduzir tanto argumentos a favor quanto contra a existência de Deus. Destarte não se consegue determinar uma resposta convincente. Como sair desse impasse? É ai que Pascal afirma: "il faut parier": "é necessário apostar". Você não tem escapatória porque, uma vez que suscitou a questão, você se encontra "embarcado nela" diz ele. A razão não sai humilhada pelo fato de ter que apostar. A aposta apresenta a seguinte vantagem: "ou você tem tudo a ganhar ou você não tem nada a perder". Portanto, a aposta é racional.
Se você afirmar "Deus existe" e Ele de fato existe, você tem tudo a ganhar, a vida e a eternidade Se você afirmar "Deus não existe" e Ele de fato não existe, você não tem nada a perder: o sentido da vida e eternidade eram meros devaneios. Então é racional, aconselhável e justo que você afirme "Deus existe" e assim você tem tudo a ganhar.
Fontes de Consulta: Bíblia Sagrada; Wikipedia; Adital(Leonardo Boff)