Um sopro no altar

(Para Fernanda Baroni)

"Vim para adorar-te, vim para dizer que te amo..."

Como é dificil escrever!!! Já fui melhor nisso. Hoje colocar uma idéia para fora é um verdadeiro parto, para lembrar Sócrates. Não que eu queira fazer um grande discurso filosófico, mas mesmo para falar das coisas do dia-a-dia é dificil.
Agora, nesse momento, quero falar sobre hoje. Especialmente hoje de manhã. Tenho o hábito de participar dos cultos na minha igreja todo domingo pela manhã. Isso se repete ano após ano. Depois de muito tempo a gente acaba se tornando uma pessoa crítica, e às vezes perdendo o melhor do culto: a essência da adoração, que normalmente começa no louvor, pois para isso que estamos ali: para adorar. Adorar a Deus.
Após uma pequena cirurgia fiquei de "molho" em casa e hoje estava lá eu, em meu lugar, tentando me concentrar no culto, enquanto pensamentos vagavam dentro de mim.
Enquanto a ministração começava, chegou uma das pessoas responsáveis por esse ministério.
Uma voz linda. Um dom. Verdadeiro dom dado pelo Senhor.

Como disse, os anos passam e as críticas aumentam. Como o louvor é sempre um destaque , é o mais passível delas. Então eu observo os irmãos e as irmãs que ministram lá na frente. Gosto de ver o crescimento de alguns. Outros desistem no meio do caminho. Alguns insistem, mesmo não sendo essa a posição determinada pelo Senhor. A gente aprende a ver todas essas coisas. Talvez até coisas demais!
Não é esse o caso. No momento que essa líder assumiu o louvor percebi: aí está alguém que veio para adorar, adorar com sua voz, suas lágrimas, seu jeito, sua força, com sua maneira espontânea de ser. O mais legal de tudo isso, e que todos sabemos, não é alguém perfeito. É uma pessoa em constante busca pelo Senhor. Em busca do prêmio da soberana vocação de Deus.
Estamos cansados de pessoas perfeitinhas. Santas demais, puras demais. Queremos pessoas que amem a Deus. Humanas demais.

"O verbo virou gente e habitou entre nós. Cheio de graça e de verdade."
Jesus era humano demais, tão humano que foi para a cruz, por nós.
Então é isso, me comovi no louvor hoje. Me comoveu a beleza da voz, me comoveu por saber que existem pessoas que recebem um chamado e em meio a todas tempestades elas estão lá. Estão por amor a Deus. Pelo amor ao Senhor. Me comoveu saber que infelizmente nem todos são assim e deveriam.
"Buscai o Senhor enquanto se pode achá-lo."

Hoje, talvez um pouco pela melancolia do pós-cirúrgico, pela ausência da igreja, dos irmãos, senti um sopro de Deus no altar. Que sopro gostoso, maravilhoso. Quero que todos nós ministradores de Deus, cantores ou não, sejamos um sopro de Deus no seu altar, diante do qual sempre estamos. Que manifestemos, não a nossa presença, mas a presença do Senhor. Em todos os lugares, e em todos os momentos, sejamos um sopro de Deus. Especialmente para aqueles que o buscam de todo coração.

Louvado seja Deus que nos fez para sua honra e glória.

Pai nosso que estás em todo lugar...(Oséas Heckert)


Pai,

penitente promitente

quero (de)votar-te exclusiva

dedicação:

nada tomará teu lugar em meu

coração;

nem imagem de escultura,

nem figura ou representação

de qualquer criatura

ou perversa estrutura

receberá minha adoração;

nem qualquer ocupação,

ou sequer preocupação,

terá maior atenção.


Prometo santificar o teu nome

e não usá-lo em futilidade;

prometo buscar a santidade,

a cada dia satisfazer tua vontade,

para que teu reino se realize

e concretize em minha vida.


Prometo honrar minha família,

para vivermos sem quizília1

e desfrutarmos em santa paz

o pão cotidiano que nos dás.


Perdoa as minhas dívidas,

desculpa minhas dúvidas,

aumenta-me a fé e o amor

pra ser clemente ao devedor,

e o meu zelo para fazê-lo

quantas vezes preciso for.


Não me deixes cair em tentação;

protege-me do círculo vicioso

de ouvir a lorota do impiedoso,

deter-me na rota dos pecadores,

e sentar-me à roda com zombadores.


Ensina-me a não prejulgar o próximo,

não proferir fortes palavras

de morte,

nem agir como algoz ou juiz.

Ao contrário de arbitrário,

permite-me fazer por ele o

máximo

para que tenha vida

longa e feliz.


Dá-me o prazer do sexo

conexo a seu contexto devido

para eu não ficar de olho comprido

e lascivo no flerte solerte,

a pretexto da grama mais verde

do outro lado da cerca.


Acerca da grana que engana,

perdoa-me a gana e a ansiedade;

dá-me o necessário suficiente

pra viver com dignidade

e acudir o mais carente;

não demais, para que farto te renegue,

nem de menos, para que sonegue

ou que no furto alguém me pegue.


Perdoa minha omissão:

fiz-me negligente e mudo

ante a exploração dos sem-nada:

cada pobre, órfão, viúva, estrangeiro.

Requeiro, dá-me prontidão

para erguer a voz e me colocar

em defesa dos desprovidos de tudo.

Faze-me,

contudo, moroso pra maldizer e fofocar...


Livra-me de ficar de olho grande

nas pequenas coisas de alguém,

ou cobiçoso das grandes, também.


Não peço redoma ou regalia,

mas a tua companhia,

todavia, em toda via.


Livra-me do mal

de retribuir mal com mal.

Ensina-me a amar,

meus amigos e inimigos,

e a exalar o teu aroma.


No "pleroma"2 de tua luz,

conduz meu caminhar imperfeito,

brilhando cada vez mais até ser um dia perfeito.


Notas

1. Conflito de interesses; briga, rixa

2. Plenitude


• Oséas Heckert é engenheiro. Participa do Ministério com Casais da Igreja Presbiteriana de Vila Mariana, em São Paulo.
Extraído:www.ultimato.com.br no. 311- revista março-abril de 2008
Dia Internacional da Mulher.

Gerânio
(Marisa Monte, e outros... )


Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando querCozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda...

As mulheres tentam a todo custo encontrar seu lugar ao sol. Embora o que tenhamos conquistado sejam jornadas duplas ou mais de trabalho, estamos aí. Com esperança, com alegria, com emoção. Fazendo desse mundo, um mundo melhor, com certeza.Mesmo influenciando o homem a comer o fruto proibido lá Éden, anos e anos atrás, acredito que nossa influencia tem sido mais positiva que negativa. Por isso: Feliz dia internacional da mulher. O Senhor nos abençoe.

Chamado Radical-

Bráulia Ribeiro
Começamos a caminhada para dentro da mata, no dia seguinte à partida do barco da dona Dôca. Enfrentando a ameaça das cobras e onças, subimos pirambeiras e atravessamos lodaçais. A mata escura e úmida nos ameaçava. Eustáquio não conseguia matar bicho algum, nem deixava Deni matar, porque ele, como o homem principal da expedição, tinha de segurar a única espingarda velha que tínhamos. Assim, a comida foi acabando e, se não fosse um jabuti que a Telma achou, teríamos passado fome. Lá pelo fim do quarto dia de caminhada, chegamos a uma maloca abandonada. Era linda, alta e bem feita. Parecia coisa de filme. Eu me beliscava para ter certeza de que não estava sonhando. Depois de quatro dias na mata sombria, a maloca parecia uma sofisticada ilha de civilização, uma verdadeira Manhattan. A casa comunitária era alta como um arranha-céu. Dentro havia pedaços de tecnologia jogados pelo chão, flechas, panelas de barro bem guardadinhas debaixo de folhas, e ao redor havia plantações. Dormimos ali, na expectativa do que encontraríamos no dia seguinte. A noite passou devagar. Imaginávamos mil coisas: “E se eles tiverem fugido ao saber que viríamos? Nossa aproximação pela mata deve ter sido para eles como a aproximação de uma frente de exército... E se nunca mais os encontrarmos? E se eles chegarem sorrateiramente e nos capturarem? E se nos estuprarem? E se...?” Acordamos cedo e, como animais urbanos, descemos para o igarapé com escova de dentes, sabonete e toalha de rosto nas mãos para a higiene matinal que acabou sendo a última de muitas semanas. De repente, enquanto escovávamos os dentes, fomos cercados por índios selvagens pintados de vermelho com arcos e flechas em punho. Primeiro um grandalhão desceu com uma criança e gritou para os outros atrás dele. Olhei para ele espantada, achando-o lindo. Estava nu, pintado da cabeça aos pés de um vermelho forte. O cabelo era bem cortado em forma de cuia com um caminhozinho logo acima das orelhas. Tinha brincos de madeira no lóbulo das orelhas e dentes bonitos e limpos. Falava sem parar, ora parecendo bravo, ora alegre. Eu não temia mais nada. O medo deu lugar a uma forte certeza do amor de Deus por nós. Logo chegaram os outros e nos cercaram, certamente querendo saber do que se tratava aquela visita. Percebemos que eles queriam saber o que havíamos levado e logo comecei a latir, tentando anunciar o pobre cachorro que acompanhava a Telma. Havíamos decidido não levar presentes. Depois da minha experiência entre os Paumari do Tapauá concluí que agir com paternalismo cria uma relação patrão–empregado que compromete o sucesso do trabalho missionário... (Trecho do livro Chamado Radical, lançamento da Editora Ultimato)
Para o trabalho que gostamos levantamo-nos cedo e fazemo-lo com alegria. William Shakespeare

O Pequeno Príncipe

Antoine de Saint-Exupéry- O Pequeno Príncipe
 ****************************** ... -Se alguem ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando as contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar...." Mas se o carneiro come a flor, é para ele bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importancia!
Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar. A noite caíra. Larguei as ferramentas. Ria-me do martelo, do parafuso. da sêde e da morte. Havia uma estrela, num planeta, o meu, a Terra, um principezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o. E lhe dizia: A flor que tu amas não está em perigo.... Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro... uma armadura para a flor... Eu...."Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontra-lo... É tão misterioso o país das lágrimas!...
Ganhei esse livro aos dezessete anos. Hoje mais de trinta anos ele ainda fala ao meu coração.

Quando seu filho pergunta sobre Deus



Para todos os pais , essas perguntas podem estar entre as mais difíceis e as mais importantes.
Kristin Von Kreisler


Uma tarde quando Kim Flodin conversava com a filha Yasmine, quatro anos, a menina perguntou por que a pele da babá era mais escura do que a dela. Isso levou a uma conversa sobre as diferenças físicas entre as pessoas.
- Deus nos ama a todos, não importa a cor de nossa pela – disse a mãe.
- De que cor são os olhos de Deus? Indagou Yasmine.
Flodin fez uma pausa.
-Ah, não sei.
-Deus está sempre conosco? Foi a pergunta seguinte.
Outra pausa.
-Claro.
- Então onde este Deus?
-Yasmine, é difícil falar sobre isso.
Tão difícil, alias, que mais tarde Flodin foi pedir auxilio à diretora da escola maternal paroquial da filha. “Quero que Yasmine tenha o conforto da oração e uma referencia de certo e errado”, diz Flodin. “Mas como ajudar minha filha, pois se baseiam em crenças e não em provas cientificas?”
Muitos pais têm a mesma preocupação de Flodin. Mesmo que consigam conversar facilmente com os filhos sobre o colégio e outros assuntos podem ficar perdidos ao discutir algo abstrato como Deus.
No entanto falar sobre Deus pode ser o melhor meio de atender algumas necessidades fundamentais da criança.
Diz o rabino Harold Kushner, autor de When Children ask about God (Quando as crianças perguntam sobre Deus):” É importante falar sobre Deus como meio de explicar as coisas do mundo, como a beleza da natureza, o nascimento de um bebê, a morte de um amigo. Junto com essas explicações surge um sentimento de reverencia. Algo na alma das crianças anseia pela maravilha e pelo mistério.”.
Falar sobre Deus também pode ajudar a tornar as crianças mais seguras. “Como Deus é constante e superior a todas as mudanças, pode dar às crianças apoio e referencial moral, num mundo em que tudo é tão transitório”, explicar a pastora Anne Wetherholt.
No caso de muitas crianças, o problema é que os pais dirigem toda a energia delas para atividades variadas – de aulas de musica a uso de computadores -, mas deixam de lado a lição da fé. Esses pais esquecem-se de que o dizem e fazem- ou não dizem e não fazem – tem impacto duradouro sobre sos filhos.
O melhor meio de desenvolver a vida espiritual de nossos filhos é falar sobre Deus francamente e com simplicidade. A regra geral concordam muitos especialistas, é deixar que as crianças dirijam a conversa – e a seguir acompanhar com perguntas, percepções se idéias, Depois que a filha lhe fez perguntas Kim Flodin começou a pensar em como responder. Mais tarde, a menina quis saber por que não podia ver Deus. “Porque”, disse-lhe Flodin então, “Deus é como o vento. Não podemos vê-lo, mas podemos senti-lo. Deus está em nosso coração quando nos amamos uns aos outros.”
Saber antecipadamente o que esperar das crianças à medida que vão compreendendo a existência de Deus poderá ajudar você a sentir confiança quanto ao que dizer a elas.
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(Artigo extraído da revista Seleçoes abril de 1998. Em próximo momento colocarei sobre os estágios de crescimento espiritual da criança e como abordar sobre Deus).

A correria do dia-a-dia e a Bíblia

                                                                                              Definição de Correria:   SUBSTANTIVO ato, proc...