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segunda-feira, 13 de junho de 2016

A dimensão terapêutica da oração

O médico suíço Theodor Bovet percebeu a necessidade de ser mais aberto, criativo e acessível no relacionamento com seus pacientes. Ele passou, então, a priorizar a dimensão espiritual de seus pacientes, que alegavam ter “problemas com os nervos”.

No tratamento de seus pacientes, Bovet procurou, então, conciliar os seus conhecimentos de neurologia com calor humano, compreensão e espiritualidade. O Dr. Bovet observou que muitos de seus pacientes que “sofriam dos nervos”, careciam de uma espiritualidade mais envolvente, mais sadia. Dr. Bovet procurou ajudá-los, conduzindo-os pelo caminho da oração.

Ao ensinar os seus pacientes a orar, Dr. Bovet lhes sugeriu algumas regras bem práticas, que foram publicadas numa revista alemã. É com grande prazer que as compartilho com você. Acredito que possam ser úteis na sua vida, no seu processo de cura.

1. 
Separe diariamente alguns minutos para estar a sós. O seu corpo, a sua mente, o seu coração necessitam de descontração, relaxamento.

2. 
Conte a Deus tudo o que você guarda em seu coração. Fale a ele com simplicidade e naturalidade.

3. 
Sempre que tiver possibilidade, exercite o diálogo com Deus. Para evitar a dispersão, cerre os olhos e, com os olhos fechados, dialogue com Deus.

4. 
Creia firmemente que Deus está ao seu lado. Ore na convicção de que receberá a bênção de Deus.

5. 
Quando interceder a Deus por alguém, faça-o na certeza de que a sua oração atravessará terras e mares. O amor e o poder de Deus envolverão as pessoas pelas quais você ora.

6. 
Quando orar, tenha pensamentos bons, sadios.

7. 
Procure estar em prontidão para aceitar a vontade de Deus.

8. 
Ao orar, coloque tudo nas mãos de Deus. Peça-lhe para lhe dar forças para você poder fazer tudo o que estiver ao seu alcance. Então, entregue-se confiante a Deus!

9. 
Ore pelas pessoas que não lhe querem bem, e por aquelas que foram injustas com você. Isso lhe dará forças para perdoar.

10. 
Ore diariamente por sua cidade, por seu país, pela conservação da paz.

O Dr.Bovet costumava dizer aos seus pacientes: “Converse com Deus, como se ele estivesse sentado à sua frente, diante de você. Converse com ele como se ele tivesse acabado de entrar no seu quarto e lhe perguntasse: ‘O que você quer que eu faça por você?’”.

Você também pode contar com a possibilidade de se sentir envolto pelo Espírito de Deus. O autor do Salmo 139 experimentou a presença de Deus de um modo envolvente. Deus não está restrito a uma corporalidade, que ocupa um espaço determinado, mas é percebido como o Espírito que envolve o salmista por todos os lados. O salmista vivencia a presença de Deus com um “sentimento oceânico”.

A pergunta decisiva que Deus lhe dirige é esta: “O que você quer que eu faça por você?”
Um dia, quando Jesus e seus discípulos saíam de Jericó, um cego chamado Bartimeu, sentado à beira do caminho, gritou: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!” Muitos o repreendiam para que se calasse, mas ele clamava cada vez mais alto pela misericórdia de Jesus.

Jesus pediu que chamassem o cego para junto dele. Então lhe perguntou: “O que você quer que eu lhe faça?” Respondeu-lhe o cego: “Meu Mestre, que eu torne a ver!” (Mc 10.46-52).

O que você quer que o Mestre lhe faça?

• Maria Luiza Rückert é pastora com especialização em Capelania Hospitalar. Cursou Teologia na EST e “Clinical Pastoral Education” no Hospital da Universidade de Minnesota. Fez pós-graduação em Ética, subjetividade e cidadania na EST. Atuou por duas décadas no Hospital Evangélico de Vila Velha (ES). Seu site é www.capelaniamarialuiza.orgA dimensão Terapêutica da Oração

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