Quando eu me amei de verdade

 

(Texto atribuído a Charles Chaplin quando ele completou 70 anos).Não por acaso, o escolhi para reiniciar minhas postagens.


" Quando eu me amei de verdade

Eu percebi que em qualquer circunstância,
Eu estava no lugar certo, na hora certa,
E no momento exato, e então, eu pude relaxar.
Hoje eu sei que isso tem um nome... Auto estima

Quando eu me amei de verdade,
Eu pude perceber que minha angústia,
E o meu sofrimento emocional, não é senão um sinal
De que eu vou contra as minhas próprias verdades.
Hoje eu sei que isso é... autenticidade

Quando eu me amei de verdade,
Parei de desejar que a minha vida fosse diferente.
E comecei a aceitar tudo o que acontece,
E que contribui para o meu crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama... Maturidade

Quando eu me amei de verdade,
Comecei a perceber que é ofensivo tentar forçar alguma situação, ou pessoa,
Só para realizar aquilo que eu desejo, mesmo sabendo que não é o momento,
Ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje eu sei que o nome disso é... respeito

Quando eu me amei de verdade,Comecei a me livrar de tudo o que não fosse saudável:
Pessoas, situações e qualquer coisa.
Que me empurrasse para baixo.
De inicio a minha razão chamou essa atitude egoísmo.
Hoje eu sei que se chama... Amor próprio

Quando eu me amei de verdade,
Parei de temer ao tempo livre.
E desisti de fazer grandes planos,
Abandonei os mega projetos do futuro.
Hoje eu faço o que encontro certo, o que eu gosto,
Quando eu quero, e ao meu próprio ritmo.
Hoje eu sei que isso é... simplicidade

Quando eu me amei de verdade,
Desisti de querer ter sempre a razão,
E assim eu falhei menos vezes.
Hoje descobri que isso é... humildade

Quando eu me amei de verdade,
Desisti de ficar revivendo o passado,
E me preocupando com o futuro.
Agora, eu me mantenho no presente,
Que é onde a vida acontece. Hoje eu vivo um dia de cada vez.
E isso se chama... plenitude

Quando eu me amei de verdade,
Eu percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco ao serviço do meu coração,
Ela tem um grande e valioso aliado.
Tudo isso é... saber viver
Não devemos ter medo de questionar,
Na verdade, até os planetas colidem.
E do caos costumam nascer a maioria das estrelas."

 Sexta-feira, 21 de janeiro de 2022


PEQUENO DICIONÁRIO DE CERTAS PALAVRAS


 

DEPURAÇÃO

(Substantivo feminino: ato de retirar elementos nocivos; refinamento; limpeza.

Do latim de + purus: puro, sem mancha ou mistura.)

O processo de depuração serve para remover ou eliminar imperfeições e impurezas. Faz-se a depuração da água ou de algum minério, como a prata. Após a depuração, a água fica pronta para ser consumida ou a prata passa a valer bem mais.

No caso da prata, por exemplo, o processo de depuração ou refinamento utiliza uma fornalha com a temperatura bastante elevada, pois o calor intenso provoca a remoção das impurezas do metal.

A depuração é necessária. Pode ser demorada, pode ser trabalhosa, pode exigir total dedicação e concentração, mas é inevitavelmente necessária. Não há transformações para melhor — quer de um minério, da água de uma cisterna ou do caráter humano — sem que haja um processo adequado de depuração.

Certas virtudes do caráter humano são adquiridas em determinados processos de depuração na vida. Só aprendemos a ser pacientes, e resistentes, e resignados, e perseverantes quando submetidos a condições e circunstâncias que exercitem a perseverança, a resignação, a resistência e a paciência.

Em outras palavras, como testemunhou alguém que precisou enfrentar prolongados períodos de intensas aflições, a grande vantagem de remar contra a correnteza é que acabamos ficando mais fortes.

O salmista, ao olhar para trás e relembrar os embates que ele e sua família tiveram de enfrentar na vida, reconheceu: “o Senhor nos refinou como se refina a prata” (Salmo 66.10).

Feliz é aquele que, da mesma forma, reconhece nos enfrentamentos do dia-a-dia, nos desafios cotidianos, nas provações e adversidades ao redor a clara oportunidade para a maturação e o crescimento, para a aprendizagem e a experiência, para o aprimoramento do caráter e das virtudes.

Para além de murmurações e resmungos, de rabugices e autocomiseração, de revoltas e inconformações, saibamos ver o que quase nunca se vê, consigamos enxergar as vantagens ocultas do que só parece desvantagem, compreendamos o sentido daquilo que parece não ter sentido algum.

São as naturais depurações nos acontecimentos e nas ocorrências adversas da vida que se dá o refinamento, a lapidação da pedra bruta — quando, de pedra bruta, passamos a pedras preciosas.

(CARLOS NOVAES  )

24 de maio: Dia do Coração Aquecido


 “Se teu coração é como meu, dá-me tua mão." - John Wesley

Imagine milhares de crianças em idade escolar, trabalhando e morrendo de chagas e frio. Imagine, por outro lado, uma casta de nobres a quem se outorgou o poder sobre os meios de produção e sobre seres humanos e, sobre todos esses, o poder de conceder e privar todos os seres viventes dos meios de subsistência: direito único do Rei.
Nesse contexto foi que surgiu o Movimento Metodista. Deu-se na Inglaterra, no começo do século XVIII, quando um grupo de estudantes da Universidade de Oxford, sob a liderança dos irmãos e professores John e Charles Wesley, passaram a se reunir para o cultivo da piedade cristã, por meio da leitura da Bíblia, da prática da oração, do jejum, da visita aos presos e aos enfermos. John Wesley iniciou o Metodismo com o intuito de fortalecer e renovar o espírito cristão daqueles que comungavam junto à religião oficial Anglicana.
O Dia do Coração Aquecido é celebrado pelos metodistas em mais de 170 países. Marca o que aconteceu, em 1738, na história e na vida de John Wesley, fundador do movimento Metodista.
Nessa ocasião, enquanto ouvia um comentário de Lutero sobre a Epístola aos Romanos, que tratava da mudança que Deus realiza no coração de homens e mulheres pela fé em Cristo, sentiu seu coração estranhamente aquecido.
Certamente a emoção fez parte dessa experiência. Nesse momento, segundo ele, houve uma íntima ligação entre sua experiência religiosa e a sua doutrina. A partir daí, o impacto de sua dedicação ao Evangelho e ao Reino de Deus fez-se sentir na Inglaterra e no mundo, até os dia de hoje.
John Wesley percebeu que, pela Graça, confiava em Cristo e que somente a fé em Cristo é o suficiente para a salvação. Uma segurança nova e imorredoura lhe foi dada.
Daquele tempo pra cá, o Movimento (hoje Igreja) Metodista cresceu ao redor do mundo, sua doutrina está mais próxima do coração e sua ação nutre-se na certeza da salvação. Sua mensagem vem da comunhão de todos os corações e vai, junto ao Evangelho, trabalhar para a construção do Reino de Deus. 

(Publicado originalmente pelo rev. José Aparecido no Boletim da Congregação Metodista São João Batista )

Fugitivos das Igrejas Evangélicas

Algo que tem me preocupado há algum tempo é a grande quantidade de jovens “fugitivos” das igrejas evangélicas e, principalmente, do evangelho hoje em dia.  As razões são as mais variadas possíveis: trabalho demais, pregações cansativas, louvor inadequado, pedidos de dinheiro, uma sociedade extremamente liberal... E a lista se alonga. Quem não tem um bom motivo para ter se afastado? No entanto, sob meu ponto de vista, um dos maiores fatores de “fuga” é o momento em que os jovens vão para o ensino médio e a faculdade. Nesse caso, eles acham que não precisam mais seguir os conselhos dos mais velhos e enveredam por seus próprios caminhos, nem sempre tão bom como eles sonhavam. Nós, os mais velhos, na maioria das vezes não temos argumentos suficientes para rebatermos suas alegações. Muito do que eles falam está realmente acontecendo. 
Nesses 500 anos de reforma é necessário fazer uma revisão do contexto da igreja hoje. Analisar em que medida ela está cumprindo seu papel ativo de evangelização, principalmente para os jovens.
“Recentemente, o Barna Group, organização americana especializada em pesquisas, constatou que apenas 20% dos estudantes que foram discipulados durante a adolescência permaneceram espiritualmente ativos quando chegaram aos 29 anos.” *
Embora a pesquisa seja americana, podemos observar que temos assistido aqui no Brasil uma igreja cada vez mais desinteressada no evangelho e na frequência à igreja.
“John Stonestreet, do Summit Ministeries, organização que lida especialmente com jovens universitários e suas crises faz um alerta: em vez de tentar fazer com que o cristianismo pareça atraente e divertido para os jovens, devemos nos preocupar em garantir que isso que estamos transmitindo seja de fato cristianismo.” *
Ele dá algumas dicas:
Devemos oferecer a eles uma educação completa sobre apologética e visão de mundo.
 “Os estudantes cristãos frequentemente têm a impressão de que somos salvos ‘de’, e não ‘para’.” Muitos conhecem a Bíblia, mas não pensam biblicamente. Eles precisam saber no que creem e também no que os outros creem.
Devemos mostrar não somente a que nos opomos, mas também o que defendemos.
Muitos estudantes são vítimas de escolhas imorais porque lhes falta uma visão maior de suas vidas. Muitos sabem mais sobre o que é proibido do que sobre o propósito para o qual Deus os chama.
Finalmente, devemos confrontá-los com as grandes batalhas culturais dos nossos dias, e não isolá-los.
O cristianismo não é uma religião ascética ou uma filosofia dualística. Seus seguidores são chamados a mergulhar no significado histórico e cultural da humanidade. A oração de Jesus é reveladora: “Não tire- os do mundo, mas proteja-os do mal” *
John Stonestreet é um homem otimista. Ele tem esperanças que a juventude dos EUA de hoje será melhor apesar das evidências contrárias. E nós, temos esperança para os nossos jovens, as medidas simples apontadas acima podem ser adotadas? Seriam válidas para os nossos jovens? O que nós faremos? Aqui está o desafio.
Sandra Nery

* Extraído de: Ultimato.com.br – artigo “Para não virar a cabeça”




À brasileira - Ariovaldo Ramos

Publicação original da Revista http://www.ultimato.com.br/

[Eles] vivem o protótipo da Igreja, isso é preciso que se veja!
É o sonho de Jesus... Um mundo de amigos!

Vou contar-lhes a história de um homem doente:
Não era qualquer ente, embora fosse comum.
Ele morava na Galileia, em Cafarnaum.
Ele tinha quatro amigos, parteiros como só!
Parteiros dão à luz, não nos deixam desistir!
Põem a gente no caminho, insistem pra gente ir!
Há amigos coveiros também, esses não digo que se tenha...
Transformam sonhos em lenha, pra evitar-nos o vexame!
Não sabem que todo vivente tem de passar por exame!
Que de queda em levantamento,
É que surge o monumento; e o sujeito faz o nome!

O moço não andava, nem tinha esperança!
Mas tinha quatro amigos, desde o tempo de criança!
Que nunca desistiram do amigo enfermiço!
Mantiveram o tento atento, pois tinham compromisso;
Esperavam um movimento do Deus que a tudo conduz!
E ele se moveu, desde Nazaré, com o nome de Jesus!
E lá vão eles a carregar, num catre cadeia,
O paralítico que os tinha, amigos à mancheia!
Mas a casa estava lotada, e os corações empedernidos;
Estavam todos acomodados, não ligaram pros amigos!
Que gritaram e clamaram frente à necessidade!
Mas quem fura o bloqueio da insensibilidade?

Vamos ao telhado, cada um use o seu dom!
Façamos um buraco onde esteja o pregador!
É provável que tanto mover faça calar o seu som...
Mas se ele veio de Deus, então veio por amor!
E não terá outra reação, senão acolher a nossa dor.
E foi assim que se fez, e foi assim que deu certo!
Jesus olhou pra cima, Jesus mirou o teto.
Viu, no catre, um doente, e nos amigos, fé fervente.
Jesus deu um sorriso, não ligou para o repente!
Estava ali pra isso mesmo...
Para que tudo o que falava, virasse vida em gente!

Imagine a surpresa daquela população!
Que não ouviu os amigos, na sua consternação!
Observando a Jesus parando a sua atividade,
Para atender o suplico de amigos de verdade!
E Jesus surpreendeu: não falou palavra de cura!
E com aparente secura, falou palavra de perdão!
E reagiram os fariseus: vejam que ousadia!
E entreolharam-se os amigos: como é que ele sabia?
Ora, só há cura porque houve perdão!
Porque o sangue é conhecido antes do mundo a fundação!
E foi o Cristo, que propôs essa questão.

E o perdão, que cura... levanta e aninha.
E como disse o poeta, vão os cinco, a pular amarelinha!
E enquanto pulam cada casa, veem o fim da linha:

Vivem o protótipo da Igreja, isso é preciso que se veja!
É o sonho de Jesus... Um mundo de amigos!
O fim dos desvarios antigos: fim do ódio e da peleja!

É o que nos faz cantar aqui, no confim de todo lugar,
Com frevo no coração, no suingue do baião;
Com um samba bom pra se cantar!
Soando nossos tambores, erguemos a humanidade de dores,
Para que Deus, do alto, veja... A fé de sua igreja!
A clamar para o homem, liberdade!
E Deus, que ama de verdade,
Assim como um dia disse: “Luz”, dirá, com certeza:
“Meus filhos... Assim seja!”

  • Ariovaldo Ramos é escritor, conferencista e presbítero na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo, SP. Foi, por quatro anos, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e é presidente da Visão Mundial no Brasil. É autor de Pare de Conjugar o Verbo Sofrer.

Quem é você dentro de você?

Quem é você dentro de você? http://ultimato.com.br/
Por Thales Rios

Num passado distante cientistas foram desafiados a criar um complexo sistema mundial de interligação de computadores para troca de informações à distância. As possibilidades eram enormes: poderiam enviar informações militares e científicas de um continente a outro, acessar dados bancários, conversar com pessoas do outro lado do mundo, comprar e vender sem sair de casa. Décadas mais tarde, cá estou eu, me dedicando a gastar tempo nesse tal complexo sistema mundial de interligação de computadores para fazer testes em que descubro qual seria meu Pokémon na vida real.
Por mais tonto que seja, é muito divertido responder 5 perguntas e descobrir que no universo de Friends eu seria o Ross  (droga, sempre quis ser o Chandler), que no Star Wars eu seria o Jar Jar Binks (o que é indiscutível, infelizmente) e que dentre as princesas da Disney eu seria a Branca de Neve (sim, eu já fiz esse teste mesmo). Os resultados são meio deprimentes, mas é viciante demais pra parar com isso. Fora estes testes bisonhos de “quem é você na fila do pão” e “quem é sua alma gêmea” (nunca funciona, acreditem em mim), tem outros realmente interessantes por aí, alguns que dá até pra botar certa fé e parecem ter algum embasamento de psicologia por trás. Meus favoritos são aqueles em que você tem que imaginar um cenário com vários elementos e depois descobre que aquele deserto é a representação da sua vida patética e sem sentido, o cavalo rebelde é sua pessoa amada que está pisando na única flor do jardim, que representava seu último amigo. (Baseado em fatos bizarramente reais de um amigo meu esse exemplo.)
Meu primeiro contato com testes assim foi na época em que a Internet ainda era tudo mato. Quando criança, conheci uma

velhinha muito simpática que parecia ter poderes sobrenaturais. Ela estava em casa conversando com minha mãe e do nada me pediu pra desenhar uma estrada, árvores e uma casa. Achei tonto da parte dela (e não disse isso porque eu era
um menino muito educado), mas fiz lá o tal desenho pra velhinha. Ela pegou o papel na mão, abaixou os óculos de velha dela e começou a me descrever completamente se baseando no desenho: “Olha, menino, estas árvores inclinadas pra direita mostram que você gosta de imaginar muito as coisas antes de fazê-las; a cerca na estrada feita assim me diz que você tem muito medo de arriscar nas suas decisões; o caminho com curvas deste jeito mostra que você é muito desorganizado; e esta casa com telhado deste jeito e um cachorro na porta me indicam que você gosta muito de cachorro, porque eu nem pedi pra desenhar cachorro”. Caramba! Não lembro bem como foi que ela descreveu as coisas na verdade, mas ela parecia saber mais de mim do que eu mesmo! Em seguida pegou meu caderno da escola e descobriu pela minha letra que eu era impaciente, distraído e sentia ciúmes da menina que gostava (o que era verdade mas neguei, obviamente). Depois de desnudar meus sentimentos e personalidade ela deu um sorrisinho, fez alguma piadinha sobre poderes mágicos e me deixou anos pensando que ela era prima da Morgana ou algo do tipo.

Infelizmente, anos mais tarde eu soube que ela havia estudado algo relacionado a psicologia, o que fez a magia desaparecer um pouco, mas de qualquer maneira isso me fez ficar fanático por estes testes de personalidade.Há um tempo atrás eu vi em um site mais um destes testes em que se tem que imaginar um cenário, um animal, uma cabana e mais um monte de coisas. Entre estas coisas, devia imaginar uma caneca ou frasco que estava no fundo da tal cabana. Como ele é? Imaginei um frasco de vidro bem fino e fraco, todo embaçado e com água suja parada. O que você faz com ele? Contrariando o que eu realmente faria na vida real, me imaginei pegando o frasco, jogando a água suja fora e depois fui em uma torneira, o lavei, sequei e levei comigo tomando todo o cuidado do mundo. No fim do teste eles explicavam que o frasco representava a minha relação com a pessoa mais importante pra mim naquele momento. Mais tarde naquele dia liguei pra tal “pessoa mais importante pra mim naquele momento”, contei que fiz mais um daqueles testes tontos, falei que limpei o frasco porque não queria nenhum Aedes Aegypti por perto, rimos, nos desejamos boa noite e fomos dormir.
Um mês depois ela me largou e voltou com o ex-namorado. Não sei se Freud explica isso também, mas aquele teste fez sentido até demais pra mim. Era realmente um relacionamento frágil, cheio de sujeira acumulada de passados mal resolvidos. Tentei limpar com cuidado, mas na vida real acabou tudo despedaçado. Este pode parecer um texto sobre pé na bunda e seus pais falando “Pelo menos agora você sabe como faz pra pegar alguém, né?” (e não, ainda não sei), mas não. Este texto é apenas um devaneio sobre como carregamos tanta sujeira nesse nosso frasco chamado vida. Sobre como nossas atitudes são comandadas por coisas que nem percebemos que nos dominam e ditam nossa vida. O que somos e o que fazemos é, em sua maioria, resultado do que vivemos até então, e a nossa linha do tempo é o tempo todo agredida e entortada por pancadas que experimentamos todo santo dia. Cada pequena falha nossa ou do outro faz pingar mais uma gota no frasco, cada pecado cumpre sua função em aumentar a distância nos relacionamentos, cada trauma nos imputa medos que tornam opacas nossas decisões e, quando menos esperamos, nosso frasco está transbordando sujeira e nos encontramos envoltos em tanto lodo que já não dá mais pra ver do outro lado do vidro.
É preciso limpar o que está ali dentro. Ignorar a sujeira que acumulamos conosco não a limpa, e nessa vida não se tem tapete suficiente pra varrer tudo pra debaixo dele. Cada trauma ignorado, cada falha arquivada, cada pecado engavetado vão cobrar sua atenção um dia. É preciso esvaziar nossos armários para que as traças não corroam o que realmente importa. É preciso tratar as velhas feridas, mesmo que seja pra aprender como tratar as que ainda estão por vir. É preciso enfrentar os velhos traumas para que eles não roubem sua liberdade de escolha na vida. É preciso enterrar seus mortos, mesmo sabendo que parte de você será enterrada junta. É preciso se livrar da sujeira que acusa e te impede de se relacionar consigo mesmo, pois só assim pode-se se tornar livre pra se relacionar com o outro outra vez. Quantas amizades precisam ser desperdiçadas por medo de confiança? Quantos amores precisam ser evitados por medo do abandono? Quantos cachorros precisam ser negados por medo da separação? Quantos projetos precisam ser engavetados por medo do fracasso? Quantas festas, quantas comidas, quantas experiências, quantas viagens, quantas roupas, quantos sorvetes, quantos abraços, quantas danças, quantos prazeres? 
Quanta vida é preciso deixar pra lá por coisas que já deveriam ter sido deixadas pra lá? É preciso esvaziar o velho eu para poder ser preenchido de uma nova vida. Não há frasco que não possa ser lavado. Não há passado que não possa ser deixado pra trás. É preciso aprender perdoar – a si mesmo, inclusive. 
• Thales Rios tem 27 anos, é designer gráfico, professor de EBD e tenta ser engraçado escrevendo para o blog Thales




A correria do dia-a-dia e a Bíblia

                                                                                              Definição de Correria:   SUBSTANTIVO ato, proc...