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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Johan en Jeannette Lukasse - Turma da Jocum em Belo Horizonte

Carta informativa JOCUM Belo Horizonte
Janeiro 2008
Alguns meses atrás, Calebe(*), um dos nossos obreiros, acabou atrás das grades, embora inocente, devido a um infeliz conjunto de circunstâncias. Já se faziam 15 anos desde que tivemos problemas mais sérios com a polícia. Naquela ocasião, eles seqüestraram e torturaram Mati, um jovem samoano que integrava nossa equipe de obreiros. Escrevi sobre isso em meu livro A cry from the streets, que está sendo traduzido para o português. Mas agora, Calebe, um obreiro calmo e confiável, fora eso sob falsas acusações, enquanto passeava com uma das crianças em um parque.
Ficamos estarrecidos com tamanha injustiça. A princípio, estávamos confiantes de que, após alguns esclarecimentos a polícia reconheceria que cometera um erro e Calebe pudesse ser solto. Entretanto, fora algemado por 10 horas junto a um banquinho de delegacia e depois transferido para uma apertada cela que teve de dividir com outros nove presos, alguns dos quais com problemas mentais. Brigas e estupros são muito comuns em lugares assim, construídas para comportar não mais do que três pessoas.

Calebe depois me contou que naquela fatídica noite os versos do salmo 139:8 vieram à sua mente: “se faço minha cama no mais profundo abismo, lá estás também”. Deus de fato o confortou naquela terrível situação. Ele estava seguro de que Deus estava com Ele e que o ajudaria...

Continuamos achando: “Amanhã a polícia irá admitir seu erro e o deixará ir.” Todavia, o contrário aconteceu. Ele fora transferido para outra prisão! Lá não lhe fora permitido receber visitas pelos 30 dias seguintes, exceto de seu advogado. Nos primeiros quatro dias a situação só piorou. Descobrimos que ele então estava dividindo uma minúscula cela com outros 14 prisioneiros de alta periculosidade. Eu não podia sequer imaginar o que se passava com ele. Foi horrível. Mal conseguíamos dormir. Mas, na medida em que mais e mais pessoas se interavam da situação, muitos começaram a orar por ele; nossos obreiros, as crianças e sua igreja.

No quinto dia recebemos um telefonema de amigos ligados ao governo, logo após uma reunião de oração com a liderança da base. Eles haviam conseguido com que pudéssemos visitar Calebe, contrariando todas as regras e regulamentações, e ainda poderíamos levar roupas, comida, livros e um cobertor. Também prometeram transferi-lo para outra cela.

Calebe nos contou mais tarde o quão feliz e agradecido ele ficou quando viu sua nova e espaçosa cela, com 14 beliches, todas com colchão! “Era como se estivesse dando entrada em um hotel”, ele disse. Todos os outros presos acreditaram em sua inocência, e o deixaram em paz. Alguns até mesmo oraram com ele e juntos leram a Bíblia.

Quando o visitamos naquela mesma tarde, Calebe nos confidenciara que o Senhor havia dito a ele que “a vitória já havia sido dada a ele”, pelo que Calebe estava totalmente convencido de que seria solto. Ainda assim, seu advogado e nossos influentes amigos precisaram de um total de 23 dias até que se resolvesse a situação, além de dois meses para ter novamente seu nome limpo de quaisquer acusações.

Quando perguntei a ele se Deus havia ensinado algo em meio a isso tudo, Calebe nos disse, com lágrimas nos olhos, que tinha muita dificuldade em crer que as pessoas da sua igreja, os obreiros e as crianças da sua base realmente se importavam com ele, ou o amavam. Mas já durante a primeira noite que passara algemado a um banquinho na delegacia, ele vira, às duas e meia da madrugada, uma van cheia de obreiros que trabalhavam com ele que vieram dar apoio, e acenavam para ele, do outro lado do corredor, gritando que orariam por ele, o que fez quebrar sua incredulidade.

Depois disso, as coisas só melhoraram. A cada visita, muitas cartas, e-mails e desenhos de obreiros, de pessoas da sua igreja e das crianças eram entregues a ele. Calebe foi ovacionado de pé durante a primeira reunião semanal já de volta à nossa base da JOCUM. Ele se afogou em lágrimas, de alegria, aliviado e grato. Que grande testemunho de como Deus transforma uma terrível experiência em algo positivo.

*(Nome fictício para proteger a identidade)